quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Moçao de apoio aos companheiros sindicados da Unesp Araraquara

Ao tomarmos conhecimento da sindicância em curso contra três estudantes da Unesp de Araraquara, nós, do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp vimos por meio desta moção manifestar nossa total solidariedade aos estudantes sindicados e nosso repúdio a mais uma ação truculenta da diretoria da Unesp Araraquara.

Aqui na Unicamp também vivemos um processo de progressivo cerceamento de nossas liberdades democráticas, com sucessivas ameaças ao nosso CA quando da realização de festas e atividades culturais. Em nossa visão, o espaço para o aprendizado na universidade abarca muito mais do que a sala de aula e a biblioteca; os momentos de confraternizaçã o são espaços de troca de experiências que completam e ultrapassam o conhecimento adquirido nas salas de aula.

Vemos um processo mais geral de endurecimento nas universidades estaduais paulistas, com os constantes casos de repressão em diversos campi da Unesp, com a perseguição a diversos CA's na Unicamp e a indicação do reacionário Rodas, na Usp. Na Unicamp, também a REItoria presidida por Fernando Costa implementa portarias que tencionam dificultar ao impossível a confraternizaçã o estudantil e popular no espaço público da universidade, como se verificou no período de realização do IFCHSTOCK. Essas medidas, direcionadas a um ponto comum, buscam afastar gradualmente e de uma vez para sempre a participação estudantil, e urbana em geral, na determinação dos sentidos políticos e sociais a que a universidade pública se propõe, não sem deglutir a parte de leão dos impostos públicos utilizados em pretensões privatistas. É naqueles que reprimem as “heresias” do movimento estudantil com gás lacrimogêneo, balas de borracha e detenções políticas que se deve procurar o desespero para garantir seus interesses profanos de elitização e enclausuramento.

É preciso que nos articulemos e somemos nossas forças para lutarmos juntos contra tais ataques, que se pautam numa "repressão preventiva" para que o ME paulista não protagonize novamente as grandes mobilizações que encabeçou nos últimos anos.

Deixamos aqui nossa solidariedade aos estudantes da Unesp Araraquara e a prontificada disposição em ajudar no que quer seja necessário para rebater mais esse ataque da autocracia burocrática da academia, tão longe dos anseios populares, tão próxima do empresariado.


CACH
Gestão Terra em Transe

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Líder in partibus infidelium

Antes que façam as licitações bilionárias propriamente ditas às empresas transnacionais encarregadas da reconstrução do Haiti, acorde com as resoluções principais da Conferência de Montreal, a mais recente licitação de frases das autoridades da “comunidade internacional”, (que aparentemente se concentram em sua totalidade em Washington), é a de que os “haitianos não confiam em seu presidente depois de observar o extraordinário esforço internacional para a solução da catástrofe, enviando navios, tanques de guerra, dinheiro e soldados”. Continua ainda com o inescapável corolário que já vinhamos anunciando há semanas, e que a modéstia dos bucaneiros faz cm que seja a última palavra: “Não surpreendentemente, eles se viram para o verdadeiro governo de ajuda no país”.
O monge insuspeito que disse o que vai acima é Robert Pastor, conselheiro para assuntos do Haiti do governo Clinton. Obviamente, essa declaração oportunista só poderia mostrar seu rosto tímido após constatar o campo limpo para isso, em vista do rechaço público por parte do povo haitiano tanto da inépcia de seu “ex-presidente” e ventríloquo nacional René Préval, quanto da presença das tropas da MINUSTAH no país, com um realce especial para os serviços “heróicos” prestados pelos brasileiros.
Em 1994, após a instalação da ditadura militar no Haiti em 1991 sob o uniforme de Raúl Cedrás – colocado com as próprias mãos de George H. W. Bush, o genitor do grande assaltante do Oriente Médio – quando a insatisfação popular ameaçava removê-lo por seus próprios métodos combativos, Bill Clinton reinstalou Jean-Bertrand Aristide, derrubado em 1991 em favor da ditadura, com a ajuda de uma nova ingerência dos fuzileiros navais norte-americanos, (de modo semelhante ao processo atual de novo inchamento da bolha de fuzileiros navais). O sr. Bill Clinton assim o fizera apenas depois que Aristide abandonara qualquer pretensão “populista” e aceitara implementar um plano neoliberal proposto pelo Fundo Monetário Internacional, o FMI. Clinton serviu bem a Câmara dos Deputados e a Bolsa de Wall Street com mais um serviçal do imperialismo.
Ante a situação cataclísmica vivida no Haiti, o povo caribenho tem o dissabor de ver a liderança dos esforços humanitários – agora tomando a forma vindoura da reconstrução do Haiti, sendo que de modo algum se localiza uma base sólida de saúde popular após a “comunidade internacional” se dissolver em aparatos militares dentro do país – entregue a ninguém menos que... Bill Clinton, um dos responsáveis diretos pela submissão dos trabalhadores e do povo pobre haitiano e de sua centenária condenação à miséria. Quem entregou esse fardo ao antigo zelador da Casa Branca? O seu zelador atual: Barack Obama.
É necessário impulsionar a combinação mais única das forças indispensáveis para o reerguimento genuíno do povo haitiano. Tudo se levanta de acordo com o estado de suas juntas e articulações. Enquanto os esforços para manter os haitianos ajoelhados serão administrados a jorros pelos bilhões de dólares em licitações para as multinacionais, que seguirão demonstrando ao povo que este não se pode ajudar a si mesmo sem o bolso cheio, cumpre lubrificar as juntas da consciência de classe das trabalhadoras e dos trabalhadores e deixar flamejante a luta desse heróico país caribenho, tão devassado por todos os poros abertos de modo sangrento durante sua história.

André Augusto, membro do CACH

domingo, 31 de janeiro de 2010

"Abertura dos caixas"

O dinheiro não tem senhor. Mas o senhor deixa de ser senhor assim que é desmonetizado. Como os trabalhadores e o povo pobre haitianos foram impedidos violentamente de se apoderar com suas próprias mãos dos artigos de consumo presos nas vitrines de comerciantes e donos de supermercados, e não puderam conduzir a satisfação de suas necessidades mais vitais lado a lado com a capacidade popular de superar as mazelas do capital, a ajuda internacional encontrou o meio burguês de superar as mazelas do povo pobre haitiano. Agora, parte da ajuda internacional será revertida diretamente em dinheiro para que os haitianos comprem as mercadorias que se ocultavam durante as duas últimas semanas nos rincões mais próximos das prateleiras de Porto Príncipe. Pode-se dizer que os sobreviventes que tiveram mais sucesso desde o terremoto foram os insumos alimentares e mercadorias, enquanto aqueles que deles sentiam falta caíam vítimas da hipocrisia cruel do imperialismo internacional.
Agora, as mercearias serão novamente abertas, pois no seu capacho entra o único cliente que deseja alimentar: o dólar.
Que os trabalhadores não nutram ilusões sobre a grande responsabilidade humanitária demonstrada pelos norte-americanos: o único ente que querem vivo é exatamente aquele que enviam através de porta aviões, helicópteros e agências bancárias.

André Augusto, membro do CACH


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A vilania do jornalismo brasileiro

A natureza lacaia dos jornalistas brasileiros encontra seu estado ideal superado quando encontram esperança em sua importância internacional. Embora a estupidez dos âncoras televisivos mais conhecidos e os editores chefes das revistas mais filistéias seja notória, espere-se enxergar as pulgas que trabalham como correspondentes internacionais para reconhecer que o governo brasileiro não suga o sangue dos haitianos apenas pela baioneta de seus “gloriosos” esbirros.
Se o Imperador romano Vespasiano, após cheirar uma moeda recolhida nos coletores dos mictórios públicos, pôde afirmar: “Non olet” (não tem cheiro), revelando que uma peça de ouro vale a mesma coisa independentemente de sair da amônia ou da fonte mineral mais pura, as palavras do venerável enviado da Folha de São Paulo ao Haiti, senhor Fábio Zanini, por outro lado, trazem marcadas em caracteres garrafais: “Olet!” (fede!), e revela de maneira refrescante que uma frase reacionária de um servo é diferente daquela de um tirano, pois homenageia o serviço que seus farrapos mentais prestam à grandeza do senhor.
O recruta delegado do jornal paulista, entusiasmado por estar acompanhando in locu os repentes da pirataria internacional, encheu a boca para defender com fúria ufanista a presença brasileira no Haiti, justamente em cima das manifestações do povo haitiano contra a permanência das tropas da ONU (capitaneadas pelos auriverdes) no país.

Acuada e radicalizada, uma franja da sociedade haitiana aproveita o caos pós-terremoto para aumentar o volume de uma demanda que completa seis anos: brasileiros, voltem para casa!” (Folha Online, 31/1)

Original apenas na banalidade, o senhor Zanini usa o argumento que por sa vez completa agora 188 anos no Brasil: o rechaço a liderança de tropas brasileiras é “realizado por uma minoria inexpressiva e anarco-radicalista que desconhece a importância de se reforçar a lei e a ordem”. A mesma voz federal que parece ecoar do túmulo de José Bonifácio encontra ressonância nas mãos cadavéricas do senhor Zanini.
Mas quem são esses elementos depravados, margem de uma pequena porção, que não reconhecem heróis porque eles mesmos não os são? Zanini afirma que são simpatizantes do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, seqüestrado e deposto pelos Estados Unidos depois de se mostrar antiquado para os interesses norte-americanos na região; e faz questão de frisar onde essa mínima bacia de “radicalizados” se encontra, e o que fazem nesses lugares:

Vivem em bairros miseráveis de Porto Príncipe, como Cité Soleil e Bel Air, onde Aristide aparece em grafites nos muros ao lado de Bob Marley e Martin Luther King. 'Aristide construiu tudo por aqui, e os brasileiros destruíram', disse um homem que se identificou apenas como Jean, tomando cerveja e fumando maconha às 10h numa rua em ruínas em Bel Air”.

Qual precisão! Sem ela, que seria daqueles que, fora do sofrimento – fruto das perseguições, calúnias e assassinatos – aconselham e incitam facilmente o sofredor? Reconhecemos o erro de expressar a opinião de que o sr. Encarregado não sabia onde se situa e o que faz a camada de “acuados”. O único problema é que Herr Zanini provocativamente desacredita os autores das demandas para a retirada de sua milícia intervencionista aos olhos dos brasileiros que têm o prazer de o ler. E qual não é sua preocupação ao cogitar, nas grutas de seu cérebro liberal, os perigos que a “minoria insubmissa e despeitada” pode fazer surgir para os interesses cantonais de seu orgulho patriótico!

“Mas a franja radicalizada existe e é atuante, não apenas nas favelas, mas também no movimento estudantil. O pior cenário para o Brasil seria o de uma aliança entre as massas empobrecidas das favelas e essa elite politizada

Esse pequeno patriarca jornalístico, criado no âmbito das velhas legislações mais tradicionais de clãs pastorais, embica sua peregrinação pelos bairros pobres do Haiti em busca de aplausos e polegares para o seu exército sacrossanto. Após muitos anos, alguns passos e poucos “sujeitos oriundos de minorias acuadas”, Fábio Zanini não tem dúvidas em garantir a seus compatriotas:

“Ao longo de dez dias em Porto Príncipe, a Folha percebeu bem mais demonstrações de apreço aos brasileiros entre a população do que o contrário.”

Enfim, Zanini projeta no povo heróico haitiano, maior responsável pelo salvamento de seus conterrâneos abalados pelo terremoto, um servilismo que é só seu, uma covardia que só pode ecoar nas bocas em que retumba a aprovação das brigadas de ocupação imperialistas. Demonstra em pequena escala – como em pequena escala se fez tudo o que escreveu até agora sobre o Haiti – o elitismo e o cinismo mais sujo tão correntes na imprensa brasileira, capaz de se “arrastar até a Patagônia por dez rublos”. Esse estado de consciência subserviente envergonharia um servo medieval. A adoração da violência pela cretinice ideológica do jornalismo brasileiro não conhece a vergonha nem a moderação. Não protegem com suas penas a fronteira norte-americana da ameaça do narcotráfico; são o tapete triunfal que serve de fronteira para a marcha das botas imperialistas.
E que faz a ONU desde que instalou-se no coração dos haitianos? Em julho de 2005 as tropas da ONU dispararam contra a comunidade de Cité Soleil, causando um efeito devastador no bairro mais pobre de Porto Príncipe (com 22.000 cápsulas de projéteis espalhadas no local), e mais tarde impedindo a entrada da Cruz Vermelha para socorro dos feridos, em flagrante violação das normas internacionais mais elementares. A 22 de dezembro de 2006, também em Cité Soleil, forças da ONU atacaram a população que se mobilizava, disparando de helicópteros contra civis desarmados: sempre a uma distância respeitável, já que corpo a corpo os haitianos são muito cruéis. Dois exemplos do trabalho heróico cumprido pelas tropas da MINUSTAH, que foram acusadas, junto à polícia local haitiana, de cometer execuções sumárias e encarceramentos arbitrários.
Em 2006, 63% das acusações contra as forças multinacionais dos cascos azuis da ONU estavam relacionadas com delitos sexuais, abusos e violações, sendo que um terço delas se referia a crimes de prostituição. Casos de meninas, meninos e mulheres prostituídos, violados e abusados pela MINUSTAH em troca de alimentos, dinheiro e abrigos são recorrentes, mesmo antes da trágica situação em que viviam os haitianos antes do terremoto; certamente se tornaram ainda mais graves depois do abalo, já se veiculando notícias sobre dez norte-americanos presos e acusados de tráfico de 33 crianças a caminho da República Dominicana. Que abalo a mídia burguesa não sentira em sua cadeira de edição, logo quando montava sobre os dados das “gangues haitianas” que traficam crianças e órgãos humanos para o exterior...
Como sucede com a Igreja, com os exércitos de todo o mundo, entre os círculos de altos funcionários, de magistrados e de políticos que gozam da maior impunidade, todos os acusados que pertencem aos cascos azuis ou a “missões de paz” da ONU são repatriados em seus países de origem, onde gozam de um retiro silencioso e sem juízo. Mas a Folha, que esteve no Haiti nos últimos dez anos, percebeu “bem mais demonstrações de apreço aos brasileiros do que o contrário”, e fecha com a nota:

“O Brasil lidera militarmente a Minustah, a força de paz da ONU, que em geral é bem aceita pelos haitianos.”
Estar dez anos no Haiti não significa nada quando se passa dez anos de olhos fechados. Suas reportagens não deixaram na superfície do Brasil nenhum prodígio, nenhum gigante revolucionário, mas apenas criaturas tradicionais, uma moita espessa de figuras burguesas que crêem do fundo de seus bolsos que escombros podem ser removidos com fuzis e abrigos podem ser construídos com balas de borracha, como crê piedosamente o governo de Lula. Esse cinismo inaudito e repulsivo sanciona o fato de que meninas, meninos e mulheres violados, abusados, golpeados e reprimidos sigam vivendo em suas pobres terras dizimadas e espoliadas pelo imperialismo e pelas guerras destrutivas que impõem as classes dirigentes internacionais. E devem sobreviver sob as piores condições, trazendo em seus corpos os traços indeléveis de crimes de lesa humanidade.
Quando o povo pobre e trabalhador haitiano conseguir encaixar seus golpes decisivos nas forças invasoras da pilhagem internacional, e esses senhores da imprensa "do povo" tentarem uma cambalhota para ficar ao se lado, retendo esse mesmo povo e preparando a recuperação da milíca da "comunidade mundial" para o próximo ataque, a população gritará "Trop tard!" e colocará um fim rápido a todo o monopólio da informação por parte daqueles que afligem e respondem em nome dos aflitos.

André Augusto, membro do CACH "Terra em Transe"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Resoluções da FRENTE NACIONAL DE SOLIDARIEDADE AO POVO HAITIANo

Esta iniciativa veio com o intuito de convocar uma discussão ampla de todas as frentes, grupos, comitês e movimentos sociais, para definir a melhor forma de ajudar a população do Haiti. Além Trabalhar da Construção uma rede de solidariedade de classe com o povo haitiano, a reunião definiu continuar com a campanha contra a presença das tropas Minustah no país, que mantém a lógica de ocupação.

Participaram do encontro mais de 23 organizações sociais, sendo que todas desenvolvem ações de solidariedade com o Haiti, entre as quais, campanhas contra a militarização e a retirada das tropas (Minustha). Esta primeira reunião foi um marco importante de juntar e consolidar estas diferentes ações e culminar em uma ampla ação dos movimentos sociais do Brasil para com o Haiti.

Foi feito um relatório com todos os encaminhamentos e medidas curto e a longo prazo.

Segue documento na íntegra:

FRENTE NACIONAL DE SOLIDARIEDADE COM O POVO HAITIANO

- CEPATEC, dia 18/01/2010

Objetivo da reunião:

Dado a tragédia que ocorreu em Haiti, algumas entidades (Via Campesina, Jubileu Sul, Conlutas, Cáritas, Comitê Pró-Haiti) tomaram a iniciativa de convocar uma reunião ampla de todas as frentes, grupos, comitês, movimentos sociais e redes para discutir uma campanha de solidariedade com Haiti. Esta campanha passa pelos movimentos sociais do Brasil com os movimentos sociais de Haiti e de pessoas destas entidades que se encontram atualmente no Haiti (Brigada da Via Campesina, por exemplo).

Participaram mais de 23 organizações sociais, sendo que todas desenvolvem ações de solidariedade com o Haiti, campanhas contra a militarização e a retirada das tropas de Minustha, trabalham em conjunto com movimentos parceiros, dentre outras tantas iniciativas, como Missões de Solidariedade e Investigação. Esta primeira reunião foi um marco importante de juntar e consolidar estas diferentes ações e culminar em uma ampla ação dos movimentos sociais de Brasil para com Haiti, uma FRENTE DE SOLIDARIEDADE COM O POVO DO HAITI.

1. Pontos comuns para o processo e ações de colaboração na reconstrução do Haiti, para com o povo:
• Fortalecer a Campanha PELA RETIRADA das TROPAS da MINUSTHA do Haiti com todas as organizações, movimentos sociais, redes e entidades.
• Duas cartas:
a) Uma de apoio ao Povo Haitiano e às organizações sociais do país, anunciando a formação da Frente Nacional de Solidariedade ao Povo haitiano;
b) Segunda carta, chamar a Responsabilidade dos governos e da “comunidade internacional” com o povo e com a reconstrução, restituição da soberania do Haiti ao povo, denunciando da violação dos direitos humanos, o fechamento das fronteiras, denunciando a ocupação militar, colocando nossa visão de reconstrução do país envolvendo o povo Haitiano.
• Desenvolver uma campanha de solidariedade com Haiti, com recursos financeiros, alimentos, sementes, água, envolvendo a população, principalmente os militantes, esclarecendo a situação do país e direcionando nossa ajuda financeira para as organizações e movimentos sociais do Haiti.
• Fazer pressão junto ao governo brasileiro para que disponibilize transporte para o envio das arrecadações (alimentos, água, medicamentos e sementes), e, principalmente que as tropas militares atuem na reconstrução do país e não cumprindo um papel de polícia ou de serviço aos Estados Unidos.
• Destinar os recursos financeiros arrecadados diretamente às entidades, movimentos sociais em Haiti, para que nossa contribuição favoreça a reorganização, reestruturação no país. Nossa ajuda financeira terá um recorte político.
• Contribuir com o fortalecimento dos movimentos sociais, na construção do projeto de reconstrução do país no curto, médio e longo prazo, resgatando as lutas históricas, permitindo a construção de sua autonomia e soberania.
• Enviar brigada para contribuir na reconstrução do País (médicos, engenheiros, arquitetos, técnicos, etc.).
• Lutar pelo cancelamento das dividas do Haiti e a não privatização dos bens e serviços existentes (comunicação, água, energia, etc.) e contribuir na luta por serviços públicos de qualidade para a população (alimento, água, saúde, saneamento, educação, moradia, transporte,...).
• Ampliar a campanha de esclarecimento com a população brasileira dos fatos que ocorre no Haiti, tirando o foco da rede globo e outros meios de comunicação.
• Utilizar os meios de comunicação que temos, nas entidades para divulgar a situação do povo Haitiano.
• Criar um coletivo de coordenações entre estas entidades para impulsionar estas ações a curto, médio e longo prazo.
• Manter os contatos com as entidades que já estão no Haiti para ajudar desde lá na coordenação desta campanha.
As discussões foram na linha de definir metas e prazos para sua realização, devido a situação hoje do Haiti. As ações a curto prazo, médio e longo prazo, foram assim indicadas:

2. Definições para curtíssimo prazo (1 mês):

• Elaboração das cartas de solidariedade e de denuncia assinada por todas as organizações presentes na reunião e abrir para mais adesões e que seja em vários idiomas e enviar para o mundo inteiro.
• Definir no Haiti as organizações que irão receber as ajudas, neste sentido se fará os contatos necessários com Camille, SOFA.
• Trabalhar com os 22 postos de distribuição e atendimento que a Cáritas já tem no país e que estão ajudando neste momento prioritário (alimentos, água, medicamentos).
• Potencializar os movimentos no Haiti para receber estes recursos.
• Realizar uma Campanha de arrecadação de alimentos (enlatados e não perecíveis), água, sementes, equipamentos de construção civil, remédios (algodão, antibióticos, analgésicos, absorventes, anticépticos, soro, bandagem,....).
• Somar a campanha da Cáritas (igrejas e paróquias) para a arrecadação de alimentos nas paróquias e nas comunidades.
• As entidades poderão contatar suas bases nacionais para a coleta de recursos financeiros e enviar diretamente aos movimentos sociais no Haiti parceiros. As entidade tem autonomia para realizar, a seu modo, em âmbito nacional a coleta financeira, seja através de UM DIA DE SALÁRIO em solidariedade para o Haiti ou outras formas e o repasse deste valor será feito diretamente as suas organizações parceiras no Haiti. A partir do envio financeiro de cada entidades, é importante informar o grupo de trabalho executivo da Frente para termos a dimensão, dados, do montante da ajuda desde as organizações brasileiras.
• Colaborar com a comissão da Cáritas no sentido de pressionar o governo brasileiro para que providencie o transporte para o envio destes produtos até Haiti.
• Reunião de ministro dos países que irá acontecer no dia 25 de janeiro em Montreal em preparação a reunião de doadores financeiros bilaterais, entregar uma carta colocando o nosso posicionamento em torno da reconstrução do país, o cancelamento da dívida externa do Haiti e que o envio de recursos financeiros para o Haiti não seja condicionado a condicionalidades, privatizações, etc. A MMM poderá articular as companheiras do Canadá para entregar a carta.
• Formação de equipes que coordene a execução das campanhas e ações definidas.
• Fortalecer esta Frente de Solidariedade com o Povo do Haitiano envolver outras organizações que não estiveram presentes.
• Criar comissões (Grupos de trabalho) para os materiais e publicações e de comunicação para fazer circular as informações.

3. Encaminhamentos e definições a médio (6 meses):

Contribuição dos movimentos sociais no processo de reconstrução do Haiti – este será um processo continuo, e não se reduzirá apenas no âmbito das campanhas ou do momento imediato. Exigirá uma continuidade e compromisso dos movimentos sociais brasileiros para com os movimentos sociais do Haiti.

• Fortalecer as entidades e movimentos sociais locais para a reconstrução do Haiti juntamente com a população do campo e da cidade. E criar as condições necessárias para isso.
• Não fazer para os Haitianos, mas perguntar quais são suas necessidades em que podemos contribuir e de que forma.
• Mobilização Nacional dia 21 de Março - Haiti Livre e Soberano - Dia Internacional para a eliminação da Discriminação Racial. Sair às ruas em atos, protestos, denuncia, atos culturais, dia de coleta de recursos financeiros. Esta atividade será realizada nos estados articulado entre as organizações presentes e envolvendo o máximo possível de forças sociais.
• Dia 22 Março – Haiti Livre e Soberano – Um dia de ação cultural envolvendo a população, artistas, com musicas, Show, vendas de produtos e a arrecadação financeira para contribuir na reorganização das organizações e movimentos sociais do Haiti e para a reconstrução das casas e condições de vida. Esta atividade seria em um local fechado e cobraríamos ingresso, essa é uma sugestão, aberto a criatividade.
• Elaboração de materiais de informações e noticias do que esta acontecendo no Haiti (cartilhas, panfletos e um banner para sites de internet).
• Envio de brigadas para contribuir diretamente na reconstrução (médicos, professores, arquitetos, engenheiros, etc). Para isso é necessário criar as condições financeiras e de infra-estrutura para garantir a permanência destas brigadas no país. A Brigada da Via Campesina estará retornando ao Haiti no dia 31 de janeiro e poderão nos auxiliar nos informes e encaminhamentos, desde o Haiti.
• Dar continuidade às campanhas: pela retirada das tropas da ONU e o Não pagamento das Dividas do Haiti.

4. Encaminhamentos a logo prazo (....):

• Dar continuidade as campanhas - Fora as tropas de Ocupação, o não pagamento das Dívidas, e não as privatizações.
• Contribuir na construção de um Plano de Reconstrução político, ideológico e econômico com os movimentos, entidades, população Haiti, e de infraestrutura, escolas de formação técnica e política.
• Dar continuidade as Campanhas de arrecadação tanto de insumos como financeiro para colocar em prática a reconstrução do país.
• Trabalhar para que os recursos como água e o cultivo de alimentos sejam de fato desenvolvidos a partir de cisternas e do envio de sementes e condições sejam criadas para isso.


5. Comissões de trabalho da frente Solidariedade ao Haiti:

Comissão de materiais e publicações:
a) Criar a logo para os sites e comunicações.
b) Cartaz para a campanha.
c) Material de esclarecimento e divulgação sobre a realidade Haiti.
Membros: Jubileu, Sonia (MNU), Babi (Defender Haiti é defender a nós mesmos),
Lucia (Pró-Haiti), MST.
(Elaborar as propostas e circular entre as entidades para opinião)

Comissão de Comunicação:
a) Coordenar as entrevistas sobre a campanha e sobre o Haiti.
b) Enviar as informações e a comunicação para o grupo.
c) Disponibilizar as informações nos sitie, listas das organizações.
d) Acompanhar as informações e notícias sobre Haiti.
Membros: Juliane e Brígida (Pró-Haiti), Clarisse (Rebrip), Junior (Conlutas), Abong,

Grupo de Trabalho Executivo:
a) Articular, acompanhar, motivar e coordenar em conjunto com os movimentos as diversas tarefas da Frente.
b) Elaboração dos documentos finais da reunião.
c) Preparar, motivar e articular as atividades de 21 e 22 de Março.
c) Fazer contato e pressão com o governo para o transporte dos produtos e insumos arrecadados.
d) Fazer contato com as organizações no Haiti para receber as doações.
e) Articular as campanhas nos estados com as entidades.
f) Convocatória da Próxima reunião.

Membros: Via Campesina, Jubileu Sul, Cáritas, Marcha Mundial das Mulheres, Conlutas, Assembléia Popular, Comitê Pro-Haiti, Action Aid; Reprip; CUT, Intersindical; Movimento Negro Unificado e Articulação de Mulheres Brasileiras.

Próxima reunião da Frente de Solidariedade ao Povo Haitiano.
Dia 23/02/2010.
Local: CEPATEC (Rua: Rubens Meireles, 136 – Metrô Barra Funda – São Paulo).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mudança de data do flash mob

O Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH) informa que o flash mob que seria realizado nesta quinta-feira, dia 28/01, foi transferido para terça-feira, dia 02/02, em função da chuva ocorrida neste dia.

Toda solidariedade ao povo haitiano!
O Haiti precisa de alimento, água, remédios, médicos, engenheiros. Não Fuzis e repressão.
Fora tropas militares do Haiti! Por uma ajuda humanitária de verdade!

Chamamos a tod@s a nos encontrarmos na terça-feira no CACH às 16h, para irmos para Campinas, no largo do Rosário, participar do flash mob que se realizará as 17h.

Postamos abaixo o panfleto que será distribuído na terça-feira:

Por uma solidariedade ativa ao povo haitiano!

O estado de coisas e das pessoas no Haiti é agravado diariamente pelo terremoto mais permanente no país: o terremoto social submete as vítimas do terremoto natural. O terremoto do dia 12 de janeiro já havia causado a morte de quase 100,000 haitianos, e deixou por volta de 609,000 desabrigados, segundo cálculos oficiais das Nações Unidas. Mas o abalo natural acabou há duas semanas; e mesmo assim, o número de vítimas, a partir de algumas estimativas, praticamente dobrou nessa última semana (quase 200,000) e o número de desabrigados subiu para 1,000,000. Por que os números crescem diariamente de maneira tão assombrosa?
O terremoto no Haiti foi um fenômeno natural que não pôde ser evitado; mas as suas conseqüências e como lidar com ele, não são naturais nem inevitáveis. Embora as conseqüências do terremoto natural, como corte do suprimento de água, de comida e de energia elétrica, além dos feridos que batalhavam para sobreviver desde o dia 12, se manifestem neste aumento nas duas taxas, a intervenção de organismos internacionais como a ONU e dos governos dos Estados Unidos e do Brasil ajudam a afastar ainda mais dos haitianos uma verdadeira fonte da ajuda humanitária.
Na situação atual, os haitianos são obrigados a trabalhar na direção oposta daquela da “comunidade internacional”. A coordenação norte-americana e das Nações Unidas obriga os haitianos a manterem-se passivos quanto aos esforços de salvamento e reconstrução do país. Os haitianos são instigados a formarem filas quilométricas para receberem alimentos, sem que desde o início haja alimentos para todos, esperando inutilmente por uma ajuda que não chega; são sistematicamente impedidos de participarem das operações de distribuição. Os agentes da ajuda oficial pedem calma para que a sua contribuição ao desastre seja o esforço único, recebida em silêncio.
Enquanto isso, as tropas internacionais da ONU (capitaneadas pelos soldados brasileiros de Lula), o exército norte-americano de Barack Obama (que, sozinho, já soma mais soldados que todas as nações juntas, com um destacamento de mais de 20,000 soldados) e a polícia de mais de trinta países, além da polícia local, asseguram ao povo haitiano que ele não terá acesso aos artigos de consumo já existentes na capital, dentro de mercearias e supermercados. A população que tenta justificadamente se apoderar da comida da cidade é perseguida e recebe tiros da polícia. Esta força policial desumana já matou cerca de 27 pessoas, chamando famintos de “saqueadores”. Vão aos montes a Porto Príncipe para ajudar os haitianos a entender que eles mesmos não são capazes de se ajudar.
Por causa dos estragos causados pelo terremoto na infraestrutura de Porto Príncipe, a ajuda internacional continua presa em navios cargueiros e porta aviões dentro da baía da capital, e em aviões de resgate no aeroporto cheio de aeronaves que não podem se locomover. As estradas ainda estão cobertas por escombros, dificultando ainda mais o transporte de água e alimentos. A temporada de chuvas no Haiti começa a partir de maio, e quase metade dos sobreviventes não possui alojamentos seguros para se abrigarem das fortes tempestades caribenhas, nem estocagem de comida.
O destino do Haiti precisa estar de uma vez por todas em suas próprias mãos. A ajuda internacional só pode atingir positivamente o povo haitiano se esse mesmo povo estiver na coordenação dos esforços humanitários e com o controle dos recursos recebidos. Os haitianos não podem ter paciência, nem podem esperar por ajuda. É impensável achar que a demora na entrega dos recursos colabora com o bem-estar do povo pobre de porto Príncipe, como quer a mídia. Nós, estudantes do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp exigimos novamente a retirada imediata e incondicional das tropas da ONU (MINUSTAH) do Haiti, e que o Congresso brasileiro revogue imediatamente o envio de mais 900 soldados para lá, anunciado essa semana. Repelimos a invasão do exército norte-americano em toda a América Central e exigimos sua saída. Que o dinheiro necessário para a manutenção das tropas seja revertido em ajuda direta. Que a dívida externa do Haiti seja cancelada. E, principalmente, que as organizações trabalhadoras e o povo pobre do Haiti controlem os recursos recebidos e sua distribuição interna: comida, água, suprimentos médicos e barracas.

Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp
Gestão Terra em Transe
contato (www.cach-unicamp.blogspot.com)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ato nesta quinta-feira (28) em solidariedade ao Haiti!

Nosso centro acadêmico convoca a todos os estudantes e quem mais se solidarizar a participar de um ato no centro de Campinas (Praça do Rosário) em solidariedade ao povo haitiano.
Neste ato faremos uma panfletagem para dialogar com a população campineira, levaremos cartazes e faremos uma intervenção estética. Além de arrecadarmos fundos em solidariedade ao povo haitiano fazendo parte orgânica da campanha que a Conlutas vem impulsionando.

Toda solidariedade ao povo haitiano!
O Haiti precisa de alimento, água, remédios, médicos, engenheiros. Não Fuzis e repressão.
Fora tropas militares do Haiti! Por uma ajuda humanitária de verdade!

QUINTA-FEIRA: CONCENTRAÇÃO AS 15H NO CACH PARA CONFECÇÃO DE CARTAZES.