Temos assistido a diversos movimentos do governos federais, estaduais e das reitorias das universidades públicas brasileiras, na direção de ampliar as plataformas de ensino à distância no conjunto do sistema de ensino brasileiro. As medidas tomadas, como sempre, pouco refletem uma verdadeira discussão da comunidade universitária – docentes, funcionários e estudantes. Os maiores interessados pouco são consultados.
O ensino à distância, que para nós, das estaduais paulistas, se materializa no Projeto da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), vem no sentido de substituir o ensino presencial e precarizar ainda mais a carreira docente. O intuito é claro se olharmos, por exemplo, para o curso inicial da Univesp, que visa formar, no curso de pedagogia, 5000 professores não-licenciados que atuam no ensino infantil e nas primeiras séries do ensino fundamental. O curso será de 3 anos e cada turma de 50 alunos deverá ter como responsáveis 1 orientador e 2 tutores, que servirão como apêndices das ferramentas de ensino à distância - utilização de softwares e programas transmitidos em parceria com a TV Cultura.
Ao contrário do ensino à distância dos países desenvolvidos, reivindicado pelos defensores da introdução desse tipo de ensino no Brasil, que serve como mais uma ferramenta a ser utilizada no processo de aprendizagem, aqui o ensino à distância vem para substituir a “mão-de-obra custosa” dos docentes nas Universidades, ao mesmo tempo em que faz com que “pacotes” de ensino sejam apresentados e repetidos sem grandes gastos. Ele significa a junção do útil ao agradável – redução de custos e maior controle sobre o que é ensinado. A garantia do “aprendizado” deve ser controlada pelo Estado através de avaliações como o ENADE e outras que surgirão. O Estado deixa de ser o provedor e passa a ser o fiscalizador do Ensino. A figura do docente passa a ser a figura do monitor, ou do tutor, e o processo de ensino-aprendizagem se torna manco, passa a ser basicamente um processo de aprendizagem fiscalizada.
Esses pontos destacados vêm na contramão de todo o discurso que vem sendo repetido pelos governos e reitorias. A expansão de vagas da universidade pública, gratuita e de qualidade não passa de demagogia. É necessário que tenhamos clareza e consigamos demonstrar para a população que a expansão tão falada não é da universidade pública, gratuita e de qualidade, mas da universidade telecurso.
Se não nos debruçarmos firmemente em cima do significado a longo prazo do ensino à distãncia e se não formos capazes de responder com um projeto alternativo de expansão de vagas e de universidade pública, a universidade que conhecemos e que gostaríamos que fosse acessível a todos os brasileiros está fadada a desaparecer.
O ensino à distância, que para nós, das estaduais paulistas, se materializa no Projeto da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), vem no sentido de substituir o ensino presencial e precarizar ainda mais a carreira docente. O intuito é claro se olharmos, por exemplo, para o curso inicial da Univesp, que visa formar, no curso de pedagogia, 5000 professores não-licenciados que atuam no ensino infantil e nas primeiras séries do ensino fundamental. O curso será de 3 anos e cada turma de 50 alunos deverá ter como responsáveis 1 orientador e 2 tutores, que servirão como apêndices das ferramentas de ensino à distância - utilização de softwares e programas transmitidos em parceria com a TV Cultura.
Ao contrário do ensino à distância dos países desenvolvidos, reivindicado pelos defensores da introdução desse tipo de ensino no Brasil, que serve como mais uma ferramenta a ser utilizada no processo de aprendizagem, aqui o ensino à distância vem para substituir a “mão-de-obra custosa” dos docentes nas Universidades, ao mesmo tempo em que faz com que “pacotes” de ensino sejam apresentados e repetidos sem grandes gastos. Ele significa a junção do útil ao agradável – redução de custos e maior controle sobre o que é ensinado. A garantia do “aprendizado” deve ser controlada pelo Estado através de avaliações como o ENADE e outras que surgirão. O Estado deixa de ser o provedor e passa a ser o fiscalizador do Ensino. A figura do docente passa a ser a figura do monitor, ou do tutor, e o processo de ensino-aprendizagem se torna manco, passa a ser basicamente um processo de aprendizagem fiscalizada.
Esses pontos destacados vêm na contramão de todo o discurso que vem sendo repetido pelos governos e reitorias. A expansão de vagas da universidade pública, gratuita e de qualidade não passa de demagogia. É necessário que tenhamos clareza e consigamos demonstrar para a população que a expansão tão falada não é da universidade pública, gratuita e de qualidade, mas da universidade telecurso.
Se não nos debruçarmos firmemente em cima do significado a longo prazo do ensino à distãncia e se não formos capazes de responder com um projeto alternativo de expansão de vagas e de universidade pública, a universidade que conhecemos e que gostaríamos que fosse acessível a todos os brasileiros está fadada a desaparecer.
CONVIDAMOS A TODOS OS ESTUDANTES E ENTIDADES ESTUDANTIS A PARTICIPAREM DA PRÓXIMA REUNIÃO DO COLETIVO UNIVESP, NO DIA 27/05, ÀS 12H, na FE!
Olá!
ResponderExcluirconcordo plenamente com o que foi escrito acima, inclusive estive na assembléia de ontem. Entretanto, um ponto colocado por um colega chamou minha atenção: O fato de estarmos utilizando em demasia a ferramenta da greve.
Não sou contra a utilização desse meio, pelo contrário. Infelizmente creio ser esse a única forma efetiva de frear esses absurdos que os governantes tentam empreender.
Porém, uma greve (ou paralização, ou indicativo) restrita à FE e ao IFCH não são suficientes para que haja um resultado satisfatório.
O fato dos cursos de exatas, principalmente as engenharias, e os cursos da área biológica são fundamentais para que tais paralizações tenham efeito, já que são tidos como o "carro chefe" da universidade.
A conscientização desse pessoal não se dá da mesma maneira que é realizada no ifch (onde já é extremamente difícil encontrar uma solução, ou senao um consenso, pelo menos uma discussão satisfatória).
Na minha opinião, deveria-se fazer uma mobilização, passando de CA em CA, explicando o que é realmente a Univesp e seus efeitos, mas centralizando específicamente a esse assunto.
A questão dos trabalhadores da USP, da demissão do Brandão, entre os outros assuntos tratados ontem, são sim de extrema importâcia, e acredito que devem sim ser discutidos. Só que essa galera dos outros cursos, por causa de discursos massantes e repetitivos, adquirem um certa repulsa quando se trata de algo que não atinge seu "meio" direto, infelizmente!
A mobilização, se pelo menos provisóriamente restrita à questão da Univesp, traria mais efeitos para as nossas lutas, no combate a tais absurdos.
Não se pode ignorar simplesmente esse fator dos outros cursos, de exatas e biológicas. Sem eles, não há paralização eloquente nem satisfatória.
Univesp? Discutível...
ResponderExcluirRidiculo é o terror que por vezes é feito sobre os estudantes, sobretudo ingressantes, com frases como "o ifch vai acabar por causa do univesp". Questionável. Sobretudo, às vésperas de uma reunião para decidir reformas na estrutura física.