Os haitianos olham para o alto e sustentam com a vista o peso da amplidão do céu, mais obeso agora com o tráfego constante de helicópteros da octogésima segunda divisão aérea. Eles pousam agora diretamente no gramado do pátio do Palácio Presidencial, onde descarregam fardos de água e caixotes de alimento, utilizando a própria disposição do jardim presidencial – com dois portões em larga distância um do outro – para enfileirar os haitianos famintos, que entram por uma das entradas, apanham os suprimentos, e deixam a área pela outra entrada. Isso porque o aeroporto de Porto Príncipe, já abarrotado de aeronaves desde quinta-feira e sem receber vôos, tornou-se uma base militar da Força Aérea norte-americana.
Após a queda da torre de comando e a congruente falta de coordenação da “ajuda comunitária internacional”, o abutre do norte reuniu as palhas e gravetos para seu novo ninho. Isso se dá também pela ampla ausência de qualquer menção pública do temporariamente ex-presidente René Préval. Esse fato não pode ser subestimado pelos haitianos.
A Força Aérea dos Estados Unidos controla uniformemente e sem restrições a partida e a chegada de qualquer aeronave internacional.
Na praça central da capital, as famílias que usualmente ficavam acampadas pela maior parte do dia e durante toda a noite, esperando anúncios oficiais do governo e mantendo-se afastadas da costa, passaram a desertar a área durante o dia, o que é acompanhado de não menor desconfiança pela imprensa internacional, que já envia seguidores a investigar onde vão. Os galpões da ONU estão fortemente guardados pelas tropas.
André Augusto, estudante das Ciências Sociais 07, membro do CACH
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