A votação do ostracismo em Atenas era arrastada, tomava meses da atenção pública em sessões no senado; agora, dele o público não toma o menor conhecimento. O último político grego punido pelo ostracismo, em 417 a. C., foi o demagogo Hipérbolo, pelo tempo de 10 anos; o último títere do Haiti talvez seja ostracizado por 10 horas. O temporário ex-presidente do Haiti, René Préval, em todo caso um presidente reservado e distante mesmo no melhor funcionamento da máquina de pressão externa, teve seu decreto de ostracismo cantado por seu próprio Clístenes.
Desde o terremoto, o ventríloquo do “Ministério das Colônias” para o Haiti se refugiou em uma compacta estação de polícia, que se tornou seu quartel-general contra os olhos e os ouvidos do povo haitiano. Participou, nesta segunda-feira, de uma reunião convocada pelo presidente dominicano, Leonel Fernández, em presença também do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, para a elaboração do Plano Estratégico para a reconstrução do Haiti.
A proposta será coordenada por um comitê integrado por Brasil, Haiti, República Dominicana, União Européia, Estados Unidos, Canadá, México e entidades como a ONU, a OEA e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). As mesmas entidades que sugaram o tutano do país, querem portanto mastigar seus ossos. Cavaram o abismo no Caribe; agora farfalham e gritam para o prazer de ouvir seu próprio chiado. Sua primeira reunião deve acontecer no Canadá.
Enfim, Préval retorna ao país devastado pelos cordames de seu mestre, e sua boca só abrirá quando seu senhor projetar-lhe a voz.
André Augusto, membro do CACH
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
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