Por André Augusto
O imperialismo norte-americano acaba de definir marchar sobre o Afeganistão e lançar uma ofensiva de guerra contra o Taliban. O imperialismo dos EUA decidiu resolver de um golpe o estado de sítio em que se encontram suas forças militares, fragmentadas em pelo menos três diferentes frentes de guerra a um só tempo, instaurando o estado da lei marcial sobre o país afegão. A "tática" a seguir se refere à eliminação tempestuosa de cada frente de combate, uma a uma. É inevitável deduzir que essa determinação tem íntimas relações com a recente situação econômico-financeira pelo qual atravessam três países da eurozona (Grécia, Portugal e Espanha, esta última a quarta economia européia) como conseqüência do estado crítico de suas economias, seus vultosos déficits fiscais e dívidas públicas. O "perigo" de levantes populares é iminente no Ocidente.
Se o brilho do ouro não calar o trabalhador europeu, a corda e o cadafalso calará. Para isso, efetivos militares têm de estar disponíveis, principalmente os da nação imperialista hegemônica. Para liberar essas tropas das frentes mais desgastadas aos olhos internacionais, é foco é causar pequenas escaramuças relâmpago e sufocar o "mal".
A chamada "Operação Moshtarak" focalizará o ataque bélico na cidade de Marjah, na província Helmand, cosiderada o último bastião do Taliban na província. A região, situada no sul do Afeganistão, compreende entre 80,000 a 100,000 habitantes, incluindo campos de refugiados provenientes de outras áreas.
Tropas e operativos militares da OTAN alertam a todas as pessoas da cidade a deixar o local; panfletos e emissões de rádio transmitidas a nível nacional avisam que o ataque ocorrerá "sem mais tardar". Bombas e minas terrestres já foram plantadas no território.
Esse império multicolorido dos EUA, dirigido por homens tão ordinários e opacos, descobriu que o estado da lei no Afeganistão (forma nacional de se referir aos confins do império norte-americano no mundo) só pode ser mantido através de medidas extraordinárias; dessa forma, viu-se "compelido" a declarar a inteiricidade do município de Marjah como sua próxima Austerlitz, um estado de sítio para "a proteção da lei e da ordem".
Nós sabemos há longo tempo que o governo bélico dos EUA somente pôde preservar-se por meios extraordinários; sabemos que sua existência no Oriente Médio ter-se-ia extinguido há muito se o país não estivesse sob estado de sítio. O estado de sítio é o estado da lei do governo norte-americano; e o estado da lei é o estado de guerra para a nação invadida.
Um morador do campo de refugiados comentou, alarmado e irritado "Os americanos não podem bombardear os muçulmanos por nenhuma razão, sem saber se são civis ou do Taliban; não podem começar a estourar bombas de uma vez, isso é trágico e desnecessário". Os comandantes das tropas da OTAN incitam a população a ficar em suas barracas, mesmo sabendo que elas serão estraçalhadas pelas explosões; a maioria da população não atende a este chamado irresponsável e foge para campos na fronteira de Marjah.
Há pelo menos uma semana o exército dos EUA começou a propagandear o plano do que será a maior ofensiva militar desde o início da guerra, em 2001, na invasão liderada pelos americanos. (Nos textos seguintes mostraremos as diretivas básicas do plano de ataque). Os treinamentos militares na região incluem exercícios de invasão de prédios e batalhas campais, nas ruas. O Taliban prometeu combater as tropas invasoras com a tática de guerrilha "hit and run", abatendo e correndo para esconderijos, pela inferioridade de suas forças.
A palavra da Operação, "Mohstarak", significa "juntos", no dialeto Dari. Naturalmente, o imperialismo norte-americano tem a tática renomada no mundo da guerra de separar os elementos do povo que invade. As tropas de ataque são compostas por milícias norte-americanas, da OTAN de conjunto, submissas às primeiras, e por soldados afegãos, instigados a batalhar contra seus próprios conterrâneos. Não há dúvida que a população afegã será a maior prejudicada.
É sintomático que em todos os países em que os EUA intervém, no último período, as imagens locais são de pessoas em tendas de pano e retalho e passando fome. Aprovetando os olhos do mundo no Caribe, os olhos estrábicos do Pentágono observam com miras automáticas os movimentos orientais.
O exército americano já entrou em ação na quinta-feira (11/2).
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