terça-feira, 2 de março de 2010

Resultados da incursão ianque - parte 2

Os operativos militares dos EUA, de sua sombra ecumênica, a Inglaterra, e das próprias forças de segurança afegãs treinadas pelos EUA, que compõem a ISAF, concentram-se no distrito de Nad Ali. Empenham-se em mostrar a capacidade das forças afegãs de controlar uma região onde não chega a influência do debilitado e desprestigiado governo de Hamid Karzai, presidente afegão desde 2004, que anteriormente trabalhou na empresa petrolífera Unocal, a mesma que está participando da criação do gasoduto que sairá do Mar Cáspio para o Ocidente através do território afegão.

É importante ressalvar que, ao tentar estabelecer o controle afegão na área sobre aquele do Taliban, essas forças militares de maneira alguma representam os interesses do povo afegão.

Apoiar o governo oligárquico do Afeganistão não significa defender a hegemonia do controle do Afeganistão por seu próprio povo. Tanto são coisas diferentes, que para o estabelecimento do "controle afegão" sobre o Afeganistão o próprio governo local de Karzai, embora apresente como “injustificáveis” as mortes da população, limita-se a “pedir” a diminuição das mortes dos civis. Isso significa que, também como o Pentágono e em aliança com ele, aceita as mortes acidentais, que ocorrerão inevitavelmente e em escala muito maior, com o condicionante de que o regime do Taliban ceda seu lugar ao dependente Karzai.

O que é necessário ao povo afegão e às trabalhadoras e trabalhadores é não serem desalojados e assassinados de maneira alguma!

Esse pedido equivale à aquiescência muda da continuação da presença militar norte-americana no país, e em caso de sucesso da expedição, o Afeganistão se tornará ainda mais dependente da dominação econômica ianque, num patamar superior ao atual; âmbito dentro do qual se torna impossível a construção da soberania popular de um governo que se diz representar uma república, e não uma monarquia em permanente estado de sítio.

Os fuzileiros navais têm criado uma base para operações avançadas, segundo a qual, para “provar ao povo de Marjah, assim como para o Taliban e para os inssurretos na área, que os EUA estão aqui para ficar e trazer normalidade ao país”. Nem nos ocuparíamos desse atestado de guerra se fosse mais uma ameaça fútil de um exército em retalhos espalhado pelo mundo. Mas mesmo fragmentado, os EUA insistem em colocar um dedo na cara das nações e outro em seus gatilhos.

Esta é a primeira missão desde que Obama enviou adicionais 30,000 soldados ao país afegão, continuando assim a “guerra contra o terrorismo” iniciada pelo republicano George W. Bush. Com esta ofensiva militar, o governo democrata reafirma que o Afeganistão é uma de suas prioridades na frente externa, e certamente não admitirá uma derrota americana na região, mesmo com a promessa longínqua de retirar as tropas em 2011. De acordo, não admirará que o governo de Obama adie a retirada das tropas para uma data mais distante ainda que 2011, se até lá não houver solidificado sua influência independente de sua presença física e, claro, se até lá sua hegemonia não for contra-arrestada pela união das forças trabalhadoras e populares.

A missão do Afeganistão somente marca uma continuação da agenda dos dois mandatos anteriores de Bush, uma vez que Obama leva adiante uma enorme escalada militar que se estende ainda ao Iraque e na fronteira com o Paquistão. Mas enquanto esse exército liderado por Obama tenta de todas as formas a vitória imperialista no Afeganistão, os olhos estrábicos do Pentágono não cessam de olhar a areia escorrendo a ampulheta da luta de classes: o rebento operário e popular na Europa está bater à porta do capital financeiro europeu e das Bolsas de Valores mundiais, e se as greves gerais se tornarem recorrentes, como agora na Grécia, na Espanha e na França, será obrigado a conduzir a reação mais violenta em outro continente. Terá de escolher qual arrivismo defender: o petróleo asiático ou as Bolsas européias.

Nas condições atuais, com quatro frentes militares em que combater, os EUA não tem forças para enfrentar com repartições diminutas uma insurreição operária na Europa. A não ser que seu maior aliado, a Inglaterra, faça as vezes de gendarme ianque na Europa e abandone as fileiras da OTAN no Oriente Médio, em favor de carregar a reação de seu tirano no continente, como fez no século XIX, enquanto era, diferentemente, a força econômica e militar hegemônica no mundo, carregando a contra-revolução de Palmerston e dos republicanos liberais contra as revoluções proletárias na França, Prússia, Itália, Hungria e assaltando a Irlanda.

The clock is ticking.

0 comentários:

Postar um comentário