CONSULTA AOS ESTUDANTES
O CACH tem participado dos espaços da ANEL (Assembléia Nacional dos Estudantes Livre) por reconhecer a necessidade de organizar o movimento estudantil em uma entidade nacional combativa, uma vez que o atrelamento da UNE ao governo e sua burocratização a impede de cumprir esse papel. A partir do segundo semestre de 2010 a Assembléia Nacional dos Estudantes Livre está impulsionando uma Campanha pela Qualidade do Ensino em todo país.
Há uma década os ataques a educação brasileira vem se dando de maneira a definir o papel do Brasil no contexto internacional, de produtor de tecnologia com mão de obra barata às custas da qualidade da nossa educação. A Reforma Universitária do governo Lula, bem como as medidas implementadas pelo PSDB na educação pública do estado de São Paulo, estão de acordo com essa lógica – cujas diretrizes obedecem a todo um planejamento do FMI (a exemplo do Plano Bolonha, iniciado pelos países europeus desde 1999) principalmente para os países “subdesenvolvidos” ou “em desenvolvimento”.
Essas medidas são aplicadas de diferentes formas, por vezes paulatinamente, mas sempre de maneira muito eficiente. De acordo com as particularidades de cada região e de cada instituição de ensino, a ANEL busca articular as lutas frente ao mesmo projeto de educação que está colocado. Nesse sentido impulsionamos a Campanha com os eixos mais sentidos cotidianamente aqui na UNICAMP e no IFCH, e sobre os quais o movimento estudantil desenvolveu um acúmulo - elaborações feitas a partir de experiências de luta e mobilização -, e que é importantíssimo que compartilhemos e não esqueçamos.
Ano passado travamos uma greve cujo principal eixo foi a UNIVESP, um plano de educação à distância (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), que, através da justificativa de democratizar o acesso ao ensino superior, propõe uma expansão sem investimentos adequados, sem o aumento da infraestrutura e do quadro de professores e funcionários, e na realidade, simplesmente fabricando diplomas e mantendo esses estudantes fisicamente fora das universidades. Esse projeto tem por fim “qualificar” mão-de-obra às custas da qualidade do ensino, e seu primeiro “público-alvo” são justamente os profissionais da educação básica, fundamental e média. A UNIVESP está atrelada à estrutura das universidades estaduais paulistas, e ainda não chegou à Unicamp, mas o vestibular para o curso à distância de Pedagogia em convênio com a Unesp já está aberto, e outros estão vindo por aí.
Para o Movimento Estudantil, a questão da democratização do acesso não deve ser discutida separadamente da necessidade do aumento dos investimentos na educação, da contratação de professores e funcionários, e de uma discussão sobre o papel social da universidade pública, que além de produzir conhecimento com a perspectiva de favorecer o lucro de determinados setores, faz questão de manter do lado de fora mais de 90% dos jovens em “idade universitária” (19-25 anos). Para eles, sobram as universidades privadas, as escolas técnicas, e programas cada vez mais voltados exclusivamente para o mercado, como o da UNIVESP. Ou ainda, partir direto para esse mercado sem qualquer qualificação...
A precarização do ensino está ligada à precarização do trabalho também dentro da universidade. A expansão da terceirização no quadro de funcionários da universidade visa baratear a contratação de profissionais às custas dos direitos dos mesmos, sujeitando-os a condições humilhantes de trabalho para manter a universidade funcionando com investimentos cada vez menores. Esses trabalhadores terceirizados são justamente uma parcela da população que jamais terá acesso à universidade enquanto ela permanecer com as características antidemocráticas cada dia mais nítidas que tem hoje.
A partir dessa elaboração pensamos numa consulta pública que permita estimular esses debates, dar oportunidade para que outras opiniões apareçam, consolidar uma posição dos estudantes do IFCH a respeito desses temas e que possa se traduzir em medidas que avancem na democratização com qualidade do ensino, além de facilitarem essa discussão em outros institutos, universidades e escolas.
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