terça-feira, 28 de setembro de 2010

Chamado do CACH por uma campanha contra a terceirização


UNICAMP DE PORTAS ABERTAS?


Quando a gente tá no Ensino Médio, começa a se perguntar sobre o que fazer quando se formar, que carreira profissional seguir, o que estudar, onde estudar. Uma pressão maior começa a surgir, afinal, a partir do momento em que se formar, você vai precisar arrumar um emprego ou começar a pensar em uma faculdade, nos vestibulares ou em ambas as coisas.

Mas você já se perguntou o porquê de tanta gente sonhar com a universidade e muitos não entrarem? Tem gente que fala que é por não ter estudado o bastante, tem gente que fala que é porque a universidade não é para todos e alguns babacas ainda dizem que a mão de obra não qualificada é necessária para a manutenção da “economia” do país. E você, pensa o que? O que acha do vestibular? O que acha da universidade? E do ensino no país?

Você sabia que a maior parte dos estudantes que se formam no Ensino Médio todos os anos nem pensam em entrar em uma Universidade Pública? E, dos que tentam, é uma minoria quem realmente entra... Para a grande maioria – “o resto” – a alternativa é desistir ou torcer por uma vaga no ProUni. O que não aparece nas propagandas bonitas (e caras) do governo na TV é que com a grana que paga cada vaga em universidade particular pelo ProUni daria pra criar DUAS vagas com qualidade superior numa pública. E você acha que é mais fácil conseguir um salário decente com um diploma da UniBAN ou com um da Unicamp? Aliás, do jeito que a coisa tá, diploma nenhum é garantia de emprego...

Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso, certo? Afinal, você não tem culpa do Ensino Público no país ser horrível! Tem mais é que aproveitar a chance que teve de estudar pra tentar entrar em uma boa Universidade. Certo? ERRADO PRA CARALHO!

A Universidade Pública NÃO FAZ QUESTÃO DE VOCE! Pra começar, ela não quer os alunos que saem de escolas públicas. Quase todos eles terão que passar a vida sem conseguir estudar após se formar, se sujeitando a empregos com salários baixos e com pouca garantia, pra no final ouvirem do resto das pessoas que “a oportunidade existe, só não aproveita quem não quer!”. A maior chance que eles terão de estar na Universidade será como trabalhadores precarizados contratados por empresas terceirizadas.



A Universidade também NÃO QUER aqueles que conseguiram estudar durante o Ensino Fundamental e Médio graças à família que sofreu pra pagar uma escola particular. A não ser que seus pais possam bancá-los por mais vários anos, muitos desses estudantes não terão condições para se manterem enquanto estudam, porque a quantidade de bolsas oferecidas está longe de ser suficiente. Terão que dar um duro do caralho pra conseguir terminar seus cursos enquanto trabalham, se for possível encaixar os horários e conseguir um emprego!

E o mais duro é que a Universidade Pública QUER MANTER BEM LONGE quem presta atenção nisso tudo e tenta dar algum tipo de retorno à sociedade! Os projetos de extensão (que deveriam cumprir exatamente essa função) quase não existem, e boa parte dos que existem partem de iniciativa dos próprios estudantes, sem apoio da universidade!

A universidade quer alunos sem qualquer tipo de consciência, que entram aqui apenas para sugar tudo o que o Estado tem a oferecer, para poder ganhar dinheiro quando saírem – ou até mesmo antes, afinal, boa parte das empresas já parasita aqui dentro, usando tecnologia e estrutura pública para “caçar” mão de obra qualificada e achar maneiras de lucrar cada vez mais. Esse lucro fica na mão de meia dúzia de empresários, e não volta de jeito nenhum para a população.

É essa a Universidade em que você tanto sonha entrar? Se não for, então comece a refletir sobre como tentar mudar essa situação. A sala de aula, por exemplo, não precisa ser só um espaço pra aprender o “modo de produção asiático”, a “fómula de Baskhara” e o “complexo de Golgi”. O que significa o vestibular, qual é a situação da universidade pública, quem é que está fora dela e os motivos disso são coisas que apostila nenhuma fala. Mas são fundamentais pra vida real. Inclusive pra sua.

Existem ainda outros espaços pra isso – e deveriam existir muitos mais. Sua escola tem um grêmio? Rola de falar sobre isso lá? Se não, imagine agora a falta que isso pode estar te fazendo... E dentro da universidade ainda tem gente revoltada com essa situação, tentando fazer algumas coisas já, e dispostas a fazer muito pra que ela esteja ABERTA PARA TODOS, TODOS OS DIAS! Queremos saber o que você acha sobre tudo isso... venha trocar uma idéia com a galera daqui.

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